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Emergência e Reabilitação
Bolívia em crise

Continuam os movimentos sociais de reinvidicação na Bolívia. Às cidades de La Paz e El Alto, que continuam sitiadas e desabastecidas de combustíveis e alimentos, se somaram Santa Cruz e Sucre. Vários prefeitos do oeste do país têm se declarado em greve de fome como resposta à sucessão presidencial e à solução dos conflitos. E os militares advertem que irão respeitar a decisão do Congresso e da Câmara com relação à sucessão presidencial.

A sessão que decidiria pela aceitação ou recusa da renúncia do presidente Carlos Mesa após 20 meses de governo, foi adiada ao longo de toda a quinta-feira, 9 de junho, por causa de reuniões partidárias realizadas para definir o posicionamento de cada partido. Além disso, à noite um manifestante civil foi morto com um tiro quando tentava atravessar uma barreira militar na cidade de Sucre, onde os parlamentares estavam reunidos para a votação.

O pedido de renúncia de Mesa foi votado na madrugada da sexta-feira, 10 de junho, e aceito por unanimidade. Feito isso, Hormando Vaca Díez (presidente do Congresso) e Mario Cosío (presidente da Câmara), primeiros na linha de sucessão à presidência da Bolívia, renunciaram ao posto, como queriam os manifestantes bolivianos. Assim, assumiu a presidência do país o presidente da Corte Suprema, Eduardo Rodríguez. Ele é o quinto presidente boliviano em quatro anos.

As manifestações populares tomaram conta da Bolívia depois que foram feitas mudanças na tributação da exploração de petróleo e gás do país. Em maio deste ano, o Congresso Nacional aumentou o valor dos impostos cobrados às empresas petrolíferas, o que desagradou a gregos e troianos. As empresas ficaram profundamente descontentes com o aumento na tributação e o povo boliviano achou a medida insuficiente. Os bolivianos querem a nacionalização da exploração de gás e petróleo, hoje realizada em grande parte por multinacionais (incluindo-se aí a Petrobrás).

Além da crise do petróleo, os bolivianos protestam pelo direito de escolher seus prefeitos, atualmente escolhidos pelo governo. Há ainda uma reinvidicação pela criação de uma Assembléia Legislativa para fazer uma reforma da Constituição da Bolívia. Devido a isso, os movimentos oposicionistas (sindicatos, movimentos de camponeses e indígenas, entre outros) iniciaram uma série de manifestações, que têm levado milhões de pessoas às ruas. As cidades de La Paz, El Alto, Santa Cruz e Sucre estão sitiadas e começaram a sofrer com falta de alimentos, medicamentos e suprimentos diversos. Instituições humanitárias presentes no país estão organizando uma espécie de ?corredor? por onde passarão doações para hospitais, orfanatos e asilos.

As Forças Armadas declararam alerta máximo e advertiram que apoiarão o processo democrático. Contingentes armados já estão sendo mobilizados para pontos críticos do país, como La Paz.

Ao avaliar a situação atual, a Visão Mundial Bolívia decidiu declarar situação de emergência CAT I. As razões são:

. população com carência de alimentos e outros insumos;
. ameaça contínua à segurança física das pessoas que transitam pelas ruas;
. enfrentamento iminente entre a população e forças de ordem;
. crise psicológica que impacta principalmente as crianças;
. enfrentamento entre diferentes setores da população;
. possível militarização das principais cidades bolivianas;
. interrupção de serviços básicos;
. colapso iminente dos centros de saúde, orfanatos, albergues e penitenciárias;
. suspensão de atividades e ameaça de fechamento de empresas internacionais;
. quatro cidades completamente sitiadas por campesinos e mineiros mobilizados.


A VM no país tem providenciado medicamentos e suprimentos para alguns hospitais da capital, com recursos concedidos pela Visão Mundial do Canadá. Os escritórios da VM no Canadá, Estados Unidos e Reino Unido fizeram o compromisso de prover suprimentos pelos próximos 15 dias. Como os manifestantes ameaçam continuar com protestos pelas próximas duas semanas, alimentos, medicamentos, gás, combustível e balões de oxigênio se tornarão escassos. Hospitais, orfanatos e asilos necessitarão de apoio. A VM na Bolívia planeja dar suporte a essas instituições, especialmente quando houver crianças em risco.





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