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85% das cidades do Amazonas decretam estado de Emergência. Mais de 50 mil desalojados. Cidades totalmente cobertas pela água
Ajude a Visão Mundial a socorrer os desalojados pelas chuvas no Amazonas.
Anamã e Manacapuru – Cidades Submersas
Saindo de Manaus, subindo o Rio Negro e navegando no Solimões chega-se, 19 horas, depois ao município de Anamã. A cidade, de quase nove mil habitantes, virou notícia desde o mês de abril por estar debaixo d’água: “Quase 100% da cidade está encoberta pelas águas”, confirma o prefeito do município Raimundo Pinheiro da Silva. Como Anamã foi construída na margem de um lago formado pelo Solimões não há áreas altas que sirvam de abrigo para os moradores. Em Manacapuru, as comunidades que vivem nas margens do rio estão alagadas, no centro da cidade, uma região mais elevada, há lugares em que não há mais asfalto ou calçada e foram erguidas pontes estreitas de madeira, para facilitar o transito das pessoas.
Atuando na região de Anamã desde 2002, a Visão Mundial em parceria com a Prefeitura e a Igreja Presbiteriana da cidade articulou o SOS Enchentes, um conjunto de ações emergenciais para ajudar as famílias e comunidades de Anamã. Atendimento médico, vacinação, distribuição de alimentos, remédios, madeiras e redes foram as ações iniciais dessa parceria para minimizar os efeitos da cheia. “Agora estamos lidando com a água, é uma emergência silenciosa, com a água subindo a cada dia. Mas, o pior está por vir, quando a água baixar teremos as doenças, a reconstrução das casas, o plantio novamente de tudo que foi perdido”, explica Dorothea Luz, gerente da Unidade Operacional da Visão Mundial no Amazonas.
Escolas – Aproximadamente 300 mil estudantes do Amazonas estão com as aulas suspensas por causa das enchentes. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc/ AM), a decisão de interromper as atividades escolares foi tomada visando garantir a segurança dos alunos. Parte das escolas ficou submersa e os acessos foram completamente inundados. Algumas unidades de ensino foram cedidas a prefeituras para servir de abrigo. Em Anamã, toda a rede escolar está paralisada. “O professor dá tarefas para fazer em casa, mas ficamos pulando na água”, conta Rene Laranjeiras, nove anos.
Alimentação – Além da pesca, as famílias ribeirinhas vivem da agricultura familiar e da produção de farinha de mandioca. Tudo perdido por causa da água. Plantadores de juta e malva amargam prejuízo na produção e a queda no preço do peixe coloca centenas de famílias em dificuldades. “Muitos conseguiram fazer provisão de farinha de mandioca, antes que as casas de farinha ficassem debaixo d’água, então estão comendo farinha e peixe. Distribuímos as cestas básicas para que as pessoas, principalmente as crianças, tenham garantido uma alimentação equilibrada, com os nutrientes necessários para o desenvolvimento”, explica Dorothea. Na comunidade do Nazaré, em Anamã, foram distribuídas 56 cestas. Em Manacapuru, 60 cestas foram entregues para as famílias.
Conscientização – Com a subida do nível da água em Anamã, mais um problema veio à tona: navegando na periferia da cidade, era possível ver a quantidade de lixo entre as casas e a vegetação. “Temos que aproveitar esse momento para conscientizar as pessoas sobre a importância de recolher o lixo para evitar que enchentes como essa tragam mais problemas ao meio ambiente”, explica Dorothea Luz. Daí veio a idéia de aproveitar o momento e lançar a campanha “Rio limpo, Cidade limpa”, onde os moradores de Anamã trocam o lixo recolhido na superfície da água por alimentos de primeira necessidade.
A campanha tem a participação da Prefeitura de Anamã e das igrejas da cidade. Em apenas quatro dias a campanha arrecadou quatro toneladas de lixo e já foram distribuídos mais de mil quilos de alimento.
Suspendendo o piso – Sem ter para onde ir, as famílias improvisam soluções para permanecer nas casas em que moram. Uma das soluções é levantar o piso das casas de madeira. “A gente vai vendo a água chegar, até o limite. Na minha casa falta menos de um palmo para a água entrar. Estou esperando madeira para levantar o assoalho”, explica, resignada, Ivanilse Garcia, 28 anos, mãe de quatro filhos. “A gente levanta o piso, mas continua perto da água”. A Visão Mundial providenciou madeira para 30 famílias. “Nós dependemos desse lugar, moramos aqui então temos que tocar a vida”, disse Antonieta Silva de Souza, 41 anos, mãe de 19 filhos, que vive em Manacapuru.
Redes – Com as chuvas e com a água ocupando todos os espaços houve necessidade de doar uma rede para cada criança inscrita no PDA. “É um jeito de garantir que a criança terá um lugar seco para dormir, evitando que fiquem doentes”, explica Dorothea.
Cobras e jacarés – Na entrada de Nazaré vive a família de Quelcinéia Maciel. Oito pessoas na casa, sendo cinco crianças. A casa, que fora da enchente fica distante 60 metros da margem do rio Solimões hoje está tomada pela água. Para não sair da casa, a solução da família foi levantar o piso. “Se a água subir mais, a gente levanta mais um pouco, assim vamos vivendo”.
Professora de formação, Quelcinéia trabalha na escola da região. “A rotina mudou toda. As crianças não vão para a escola porque a escola está fechada, é perigoso para as crianças chegarem à aula, há muitos acidentes com canoas”.
Outro risco são os animais que aparecem, Quelcinéia conta que assim que a água começou a subir era comum aparecer surucucu e jararacas, cobras venenosas: “Ela vinham em busca de lugar seco e quente para fazer sua toca. À noite, a gente fica na janela e vê os olhos acesos dos jacarés. Numa madrugada ouvimos os cachorros latindo muito, pela manhã notamos que um cão havia desaparecido”. A família já matou, no período das chuvas, três cobras.
De acordo com o Instituto de Medicina Tropical do Amazonas, nos quatro primeiros meses de 2009 houve um aumento de 40% no numero de acidentes com animais venenosos em relação ao mesmo período no ano passado.
Atendimento – Quando o barco hospital da Visão Mundial chega à região vem junto a garantia de atendimento e a distribuição de medicamentos para aqueles que não tem acesso aos remédios. Em Anamã, a água já ameaça o único hospital da cidade. A equipe médica da Secretaria de Saúde do Município assumirá o barco para realizar atendimento nas comunidades que vivem ao longo do rio. Em Manacapuru, uma parceria da Visão Mundial com a Igreja Metodista Central de Manaus garantiu atendimento para as famílias de Canabuoca, Jacaré e Cristo Ressuscitado. Foram aplicadas vacinas, distribuídos medicamentos e feito atendimentos emergenciais.
Drama – As várias semanas de chuva e de enchente nas regiões norte e nordeste faz com que os brasileiros dessas regiões se adaptem a viver em cidades inteiras que estão debaixo d’água.
A cheia atinge todos os grandes rios do estado do Amazonas. Foi decretada situação de emergência em 53 municípios, ou seja, 85% do estado. Cerca de 40 mil pessoas são afetadas diretamente pela situação. Em Manaus, o Rio Negro ultrapassou a cota de alerta, que é a média das maiores cheias já registradas, como a ocorrida em 1953.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, nos últimos quatro anos houve aumento no volume de chuvas na Bacia Amazônica e parte da água que deveria ter corrido para o oceano se acumulou na região. A situação deve permanecer assim, alagada, por pelo menos mais um mês.
Canoas – Foram entregues 16 canoas para os líderes de 16 comunidades atendidas pela Visão Mundial.
A doação das canoas é para facilitar o monitoramento do nível da água e prestar socorro as famílias, tão logo a água entre nas casas.
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Visão Mundial intensifica emergência contra a dengue
A Visão Mundial intensificou nas últimas semanas, no Rio de Janeiro, as atividades de prevenção e combate ao mosquito aedes aegypti, causador da dengue. A organização decretou ação de emergência no estado em função da epidemia da doença, que já matou 80 pessoas no Estado.
A cidade de Duque de Caxias, na região metropolitana, registra índices alarmantes da doença, com mais de dez mortes confirmadas, mais da metade de crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Apesar de Duque de Caxias ser o segundo município do Rio em renda, a região que contorna a refinaria da Petrobras convive com miséria e baixos índices de desenvolvimento humano. É nessa região que fica o Projeto Jardim Primavera. É também no entorno da refinaria que a doença tem os mais altos índices do município: ?Tanto crianças quanto facilitadores do projeto foram infectados com a doença, todo mundo por aqui conhece alguém que teve a doença ou que morreu por causa do mosquito?, conta Guiomar Silva, coordenadora do projeto Jardim Primavera.
As ações da Visão Mundial em Duque de Caxias envolvem visita às residências para eliminação de focos do mosquito aedes aegypti, distribuição de soro e outras medidas necessárias para enfrentar a dengue.
Também na Baixada Fluminense, o município de Nova Iguaçu, onde estão localizados os Projetos Comunhão e Mãos Dadas, enfrenta o mesmo problema em relação à doença. A dengue hemorrágica é a forma mais grave da doença.
No projeto Amigos para Sempre, no bairro de Lins de Vasconcelos, na cidade do Rio, todas as atividades de rotina estão sendo utilizadas para o enfrentamento da doença.
Em 2008, a enfermidade tem se mostrado mais fatal do que em 2002, quando aconteceu a pior epidemia de dengue no Estado. Naquele ano, aconteceram 288.000 casos e 91 mortes ao longo do ano, mostrando uma letalidade inferior à atual. Entretanto, a epidemia está sendo mais grave do que a de 2002 porque predomina o tipo 2 do vírus, que resulta na letal dengue hemorrágica.
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SOS NORDESTE
Como você tem acompanhado pelos noticiários, fortes chuvas têm castigado seis estados do Nordeste do Brasil: Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, num total de 250 municípios atingidos. Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, o último mês de março foi o mais chuvoso dos últimos cinco anos na região. Ainda segundo o Cptec, isso se deve ao fenômeno La Nina.
A Secretaria Nacional de Defesa Civil informou que 540.790 pessoas foram afetadas pelas chuvas até agora, das quais 36 morreram, 46.585 estão desalojadas e 71.373, desabrigadas. Em Teresina, capital do estado do Piauí, a situação é grave. Mais de 700 famílias perderam suas casas. A Visão Mundial declarou emergência na cidade e já deu início às ações de socorro às comunidades assistidas pelo Projeto Monte Horebe.
O levantamento inicial feito pela equipe da Visão Mundial revelou que 250 famílias da área do Projeto foram afetadas. As necessidades dessas famílias estão sendo mapeadas, para que todas recebam o apoio necessário para superarem mais esta dificuldade.
Outra preocupação da equipe é fazer parcerias com outras organizações e órgãos do governo que também estão trabalhando no socorro às vítimas. Assim, espera-se garantir que os esforços estejam bem distribuídos e sejam utilizados de forma eficaz.
De imediato já estamos atuando da seguinte forma: - Abrigo para algumas famílias na sede do Projeto - Listas das famílias afetadas e das crianças apadrinhadas (59 crianças) - Campanha local de arrecadação de alimentos, roupas, colchões, cobertores e filtros para atender as necessidades imediatas.
Precisamos ainda de atendimento médico-hospitalar e atendimentos de assistentes sociais e psicólogos. A previsão é de que a emergência siga durante três meses, acompanhando questões como a saúde das crianças e adolescentes e os problemas psicossociais que por ventura surgirem.
Toda ajuda é importante, colabore!
SOS NORDESTE Banco Brasil Conta 14676-5 - Agencia 0007-8 |