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Rocinha: pesquisa mostra retrato interessante da economia

Míriam Leitão - Eu estive na Rocinha e estudei os dados de uma pesquisa do EGP (Escritório de Gerenciamento de Projetos), do Estado do Rio, que fez um censo por lá muito interessante. Durante um ano e dois meses, 450 jovens treinados da comunidade visitaram casas e empresas locais. A primeira informação importante é que há 101 mil moradores na Rocinha.

Míriam Leitão - Eu estive na Rocinha e estudei os dados de uma pesquisa do EGP (Escritório de Gerenciamento de Projetos), do Estado do Rio, que fez um censo por lá muito interessante. Durante um ano e dois meses, 450 jovens treinados da comunidade visitaram casas e empresas locais. A primeira informação importante é que há 101 mil moradores na Rocinha.

Só 29,7% das casas informaram que o correio chega lá, 51,6% disseram que há rua com iluminação pública. Com iluminação, mas não pública, 25,6%. Além disso, 14,2% disseram não ter esse serviço.

Em relação ao tipo de domicílio, 36,6% são apartamentos, 36% são casas compartilhadas com parede ou laje, 19,7% são casas isoladas.

A pesquisa perguntou ainda: qual é o ano da primeira ocupação do imóvel: até 1989, 18,9% das pessoas já estavam lá. Na década de 2000, 35,8%. Ou seja, houve aumento recente.

Na Rocinha, há 6.529 empresas funcionando. Em geral, os empresários não têm sócios. Noventa por cento delas são informais e mais de 76% disseram não ter interesse em se formalizar, um desafio para o setor público que tem de convencer os empresários sobre as vantagens disso. Em relação ao ramo de negócios, 69,7% são serviços; 28,2%, comércio e 2,1%, indústria.

Eu conversei com um empresário do ramo imobiliário, que está se formalizando depois de 39 anos, e com um proprietário de uma banca de verdura.

É uma economia muito dinâmica, tem muita coisa acontecendo lá, e o Estado pode agora entrar para organizar tudo.

 

Fonte: O Globo